quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Tanto tão...



Aguçar os sentidos, excitar, estimular o gosto mais forte. Pressentir. Pré sentir. Absorver. Deixar ficar. Cheirar, tocar, olhar, saborear, ouvir e intuir. Deixar ir. Saber antes de. Imaginar antes de. Ver antes de. Sentir antes de. Antes de: antes de tocar, olhar, saborear, ouvir e cheirar, é intuir. Ver além, ver através. Sentir com a alma, com o coração, com o sentimento sem mais nada, sem barreiras, sem trapaças, sem e ponto. Consumir, receber, doar, adentrar, nas vísceras, no calor, na falha, no detalhe, no erro, no gesto, nas palavras, na respiração. Morder, na boca, com a boca, com o olhar. Calor, frio, mãos, dedos, gelo, textura da pele, do afago, do abraço, do fluir. Tudo o que vem, vem e fica. Tudo o que vem, vai e fica.  Tudo o que vai, vem e solta, e transborda, e transporta, e comporta, e destroça, se enrosca, se embebeda, me enlouquece, me enloucresce, não reconstitui, mas recria, não se cria, se petrifica, se dilui. Se seduz, se enobrece, se deprecia, se intitula: vida minha! Vida sua, vida nossa, de cada um, de cada qual, de tal porém, de tal alguém, alguém aquém, alguém além, alguns de nós, alguns tão sós, alguns ninguéns. Tão eus, tão vocês, tão a gentes! Tão cheios de sentidos latentes, tão fáceis de um sorriso imprudente, tão cheios de umas dores recorrentes... Tão tudo e tão nada. Tão água petrificada, tão gelo derretido, tanto ouvido, tanto umbigo, tanta coisa acumulada, e liberada, e quebra-cabeças de peças perdidas, na esquina, debaixo do sofá, na memória, na resina, no lençol, na fotografia. Tanta coisa, tanto tudo... Não depois, não agora, não lá fora, não aqui. Tão sem mim...

E tanto tanto que não tem fim, só depois da oração, enfim!

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